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Edição / O watt que vem na caixa não é o que sai da coluna

Medidas · folha 01

Registo de 4 de Março · leitura de 5 minutos

O watt que vem na caixa não é o que sai da coluna

Duas colunas anunciadas com o mesmo número de watts podem soar com o dobro da diferença. O número sozinho não diz nada — falta saber como foi medido.

Coluna portátil sobre mesa de madeira em sala com luz baixa
Coluna portátil sobre mesa de madeira em sala com luz baixa.
Resumo de medidas citadas
ParâmetroValorNota
Potência contínua5 – 40 Wconforme o tamanho
Potência de pico3 a 5×valor de catálogo
Sensibilidade80 – 88 dBa 1 m / 1 W
Diferença audível3 dB= dobro da potência

Na embalagem lê-se um número grande em watts. Na prática, esse número pode ser potência de pico — o máximo que o amplificador entrega durante uma fracção de segundo antes de distorcer — e não a potência que sustenta durante uma música inteira. A diferença entre as duas costuma ser de três a cinco vezes.

Contínua, pico e a sigla que não quer dizer nada

A medida útil é a potência contínua (por vezes indicada como RMS), medida com sinal constante e distorção declarada. A potência de pico serve para marketing. E aquele valor enorme de três dígitos que aparece em produtos baratos costuma ser de uma escala sem norma de medição por trás.

Uma coluna portátil honesta de bolso ronda os 5 a 15 W contínuos; uma de tamanho médio, 20 a 40 W; um sistema de sala, mais do que isso. Quando um aparelho do tamanho de uma garrafa anuncia várias centenas de watts, o número não é comparável com nenhum dos anteriores.

Sensibilidade explica mais do que a potência

Duas colunas com a mesma potência podem ter volumes muito diferentes por causa da sensibilidade, medida em decibéis a um metro. Três decibéis de diferença equivalem, grosso modo, ao dobro da potência necessária para o mesmo volume.

É por isso que comparar apenas watts leva a decisões erradas. Se a especificação trouxer sensibilidade e resposta de frequência com tolerância (por exemplo, 60 Hz a 18 kHz ±3 dB), já dá para comparar; sem tolerância, o intervalo de frequências é apenas decorativo.

Distorção é o limite real

O volume máximo aproveitável não é aquele em que o aparelho ainda toca — é aquele em que ainda toca limpo. A partir de certo ponto, o compressor interno achata os graves para proteger o altifalante, e a música fica com aquele som abafado que muita gente confunde com falta de potência.

Um teste simples: subir o volume por passos, com uma faixa que conheça bem, e parar no ponto em que a voz deixa de estar nítida. Esse é o volume máximo real do aparelho na sua sala — e costuma ficar bastante abaixo do máximo do botão.

Como ler uma ficha em trinta segundos

Procure quatro coisas, por esta ordem: potência contínua, sensibilidade, resposta de frequência com tolerância e diâmetro do altifalante. Se a ficha não trouxer pelo menos duas delas, o que sobra é o número grande da caixa — e esse já sabemos o que vale.

Os valores acima são medições nossas em sala doméstica e servem de ordem de grandeza. Revemos a folha sempre que uma medição repetida contraria o texto.